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Brigadas indígenas como instrumento de preservação e valorização do índio

19/04/2010

Autor: Alexandre Coronel

Fonte: O Documento (MT) - http://www.odocumento.com.br/



O Governo de Mato Grosso acelerou as propostas para fazer com que os povos indígenas do Estado participem do processo de proteção e preservação ambiental. Em 2007 eles começaram a discutir propostas que integram o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas de Mato Grosso (PPCD-MT), que começou por meio da Casa Civil, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Corpo de Bombeiros Militar, Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Com essa inserção os indígenas puderam discutir, opinar, contribuir e passaram a ter responsabilidades relacionadas à definição de políticas públicas de desenvolvimento sustentado das comunidades ficando com o dever de proteger as terras do desmatamento, da ação predatória e das queimadas.

Nos últimos anos, o incêndio florestal, por acidente ou de forma criminosa, trouxe diversos prejuízos aos indígenas, que perderam bens e os materiais necessários para a construção das ocas e utensílios domésticos e de caça, mas também perderam parte dos animais. Os indígenas foram chamados para fazer parte desse processo de revitalização da natureza e prontamente atenderam ao chamado.

Um Termo de Cooperação Técnica foi firmado entre a Casa Civil e Corpo de Bombeiros para o trabalho de capacitação de Brigadas Indígenas em todo o Estado. O primeiro projeto em 2008, foi executado com o apoio do Banco do Brasil, Banco Internacional de Desenvolvimento (BID) e da Instituição Wauny. As prefeituras na região das aldeias, são parceiros do Governo do Estado.

Cerca de 50 indígenas passam pelo treinamento no município de Colíder (650 km ao Norte de Cuiabá). Além de exercício para prevenção e combate a incêndios florestais nas áreas de reservas indígenas, eles foram capacitados para atendimento de primeiros socorros.

O projeto de criar uma brigada formada pelos próprios índios ampliou a capacidade de prevenção e combate a incêndios, uma vez que só o Parque Nacional do Xingu corresponde a 11,2 milhões de hectares do território mato-grossense. Com o índio inserido na proteção da floresta, conscientizado e treinado para esse tipo de trabalho, a resposta é mais rápida no sentido de proteger suas próprias reservas.

Foi instalada a primeira brigada na aldeia Piaraçu, no Médio Xingu, dentro da reserva Capoto Jarinã. Índios de várias etnias, no Alto Xingu, próximo ao município de Gaúcha do Norte (595 Km ao Norte de Cuiabá-MT), também receberam treinamentos e conscientização de preservação da natureza. Na região dos Xavantes e dos Bororos no Vale do Araguaia, doze etnias passaram pelo processo de treinamento. Nessas regiões, os próprios índios já estão motivados e conscientes de que eles mesmos devem cuidar de suas áreas e protegê-las contra os incêndios e mais que isso, eles servem de incentivadores para que outras etnias e aldeias possam participar do processo de proteção.

O superintendente de Assuntos Indígenas e das Brigadas Indígenas do Estado, tenente-coronel Alessandro Mariano, disse que o diferencial do projeto está na valorização e na comunhão de aspectos humanísticos e ambientais em uma porção considerável da Amazônia onde as principais barreiras ainda são construídas pelo preconceito e pela ambição. O Estado de Mato Grosso rompeu essa barreira e isso chamou a atenção internacional.

Para comemorar a participação dessa nação na proteção ambiental e no combate aos incêndios florestais, os índios estiveram presentes no tradicional desfile cívico-militar de 7 de setembro do ano passado, em Cuiabá. Vinte e cinco índios do Parque do Xingu, que formaram a primeira brigada indígena de prevenção e combate a incêndios florestais criada em Mato Grosso, se apresentaram na Avenida Rubens de Mendonça. Acompanharam a brigada no desfile outros 55 índios de quatro etnias da região do Médio Xingu - Trumai, Panará, Kaiapó e Juruna. Grupos da aldeia Metuktire, da etnia Kaiapó, também participaram como estreantes e inseridos como brigadista em defesa do meio ambiente. Também para comemorar, ao longo do ano passado, as brigadas desenvolveram técnicas próprias para identificar os focos de calor na mata e durante o curto período de atuação houve uma redução de 80% nos focos de incêndio na reserva do Parque do Xingu.

Na oportunidade, o cacique kaiapó, Megaron Txucarramae, um dos líderes nessa iniciativa, destaca a importância dos indígenas no processo de conscientização ambiental e preservação das florestas, disse que o Governo do Estado está apoiando essa iniciativa. Antigamente, os índios podiam usar fogo para caçar e limpar o solo nas práticas agrícolas, hoje se existir fogo, ele tem que ser apagado, para não prejudicar a floresta.

Diante da pressão internacional perante o aquecimento global, pelo efeito do gás estufa, pela preservação das florestas, todos os órgãos governamentais e privados têm muito que fazer, principalmente nesta época que está iniciando, próximo de mais um período seco em nosso Estado. Sempre existiu na floresta, uma nação que a conhece melhor do que todos nós juntos, mas que a partir de agora estão inseridos no nobre dever de protege-lá. O Corpo de Bombeiros vai continuar sendo parceiro, para a formação de mais Brigadas Indígenas e valorizar o índio em seu habitat natural.

http://www.odocumento.com.br/artigo.php?id=1959
 

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